Como Monetizar o Seu Negócio Social

Monetizar é uma dessas palavrinhas que surgem com os modismos, e significa literalmente ganhar dinheiro.

E neste artigo você vai conhecer os formatos mais utilizados e exemplos que Negócios Sociais bem sucedidos usam para precificar e fazer dinheiro.

Então por que não usei o título: “Como Ganhar Dinheiro Com o Seu Negócio Social“?

Por três motivos:

  1. Nesta nova economia, com foco no compartilhamento e no consumo consciente de produtos e serviços, existem outras formas de ter seu trabalho remunerado além do dinheiro. Permutas, trocas, o bom e velho escambo, reciprocidade, recomendação, reuso, se tornaram moedas que circulam por este mercado para atribuir valor a bens tangíveis e intangíveis.
  2. Muitas pessoas têm a crença de que o dinheiro é algo sujo, ligado à ganância e cobiça, e causa da maioria dos males do mundo moderno. Não tiro a razão de pensarem assim, e vamos falar destas convicções ligadas ao “vil metal” e sua relação com Negócios Sociaisem outro artigo.
  3. A maioria dos artigos que começa com “Como Ganhar Dinheiro…” e termina com “em casa, na internet, fácil, rápido, etc” reforçam as crenças do item 2.

Como todo negócio, social ou não, precisa de recursos para se manter e para impactar a vida do maior número de pessoas, você vai encontrar aqui formas de captar e gerar riqueza (o que é riqueza para você?) para o seu empreendimento.

São agrupados como sociais, aqueles empreendimentos que buscam igualar oportunidades.

Neste sentido, projetos com estas características encontraram formas inovadoras de se monetizar, se desenvolver e escalar suas atividades com ou sem fins lucrativos, e você vai poder usar estes exemplos como referência:

  • Modelo 1 para 1: bolado pela TOMS, referência mundial em empreendedorismo social, é um modelo tão simples quanto funcional, para cada unidade vendida, outra unidade é doada para quem precisa. A TOMS começou com sapatos e hoje já comercializa óculos e bolsas (estes últimos financiam tratamentos nos olhos e cuidados com pré-natal respectivamente).No Brasil, quem adotou esta estratégia com sucesso foi a Geekie, que desenvolve aplicativos com algorítimos que estimulam o aprendizado dos alunos de forma individualizada. Para cada colégio particular que contrata o sistema da Geekie, eles ofertam o serviço gratuitamente para uma escola pública.Nós da Startup Social também usamos esta forma de monetização. Para cada treinamento sobre Negócios Sociais que é vendido, a pessoa que compra pode indicar, como bônus, um colégio público para receber o acesso ao treinamento gratuitamente.
  • Margem Baixa, Alto Volume: com foco nos mercados consumidores com menor poder aquisitivo, iniciativas como da Vivenda, que reforma casas nas periferias, e da Dr. Consulta, empresa que oferece serviços médicos com qualidade muito superior ao SUS e com preços bem abaixo dos praticados pelo mercado, focam na tecnologia de processos e gestão para conseguirem reduzir seus custos, e por consequência os seus preços ao mercado.Através de iniciativas escaláveis, que podem inclusive ser formatadas para franchising, estes modelos de negócio buscam ultrapassar o ponto de equilíbrio através do alto volume de atendimentos, o que também aumenta a possibilidade de pessoas impactadas;
  • Freemium: estratégia interessante para empresas que produzem conteúdo. Consiste em fornecer conteúdos gratuitos de qualidade (premium) de forma gratuita (free). Estes materiais que a empresa fornece, e que o usuário não precisa pagar, devem ser suficientes para promover uma transformação na vida dele.E caso o usuário queira se aprofundar ou evoluir para um nível mais avançado, ele tem a possibilidade de contratar alguns serviços pagos, que vão monetizar e manter as atividades da empresa.Um exemplo de sucesso neste modelo é o Você Aprende Agora, do premiado empreendedor social Felipe Dib, que ensina inglês gratuitamente com aulas para vários níveis, e caso a pessoa queira algo mais, ela pode pagar por exercícios e pelo certificado.Se quiser conhecer melhor este exemplo, você pode ver esta entrevista com o Felipe, onde ele conta sua história e dá preciosas dicas para quem quer começar seu Negócio Social.
  • Afiliação: um dos grandes desafios de quem desenvolve produtos físicos ou digitais é levar audiência qualificada (dentro do perfil dos seus consumidores) para a sua comunicação.Uma forma de gerar este tráfego é através do sistema de afiliação, onde pessoas e empresas que se comunicam com o mesmo nicho de mercado, recomendam os conteúdos do seu negócio.Caso lá na frente esta recomendação gere alguma venda, o afiliado que indicou o seu conteúdo para a audiência dele, recebe uma comissão por esta indicação.O seu negócio também pode indicar conteúdos de qualidade e que tenham sinergia com a mensagem que a sua audiência busca, e também monetizar através desta modalidade.Existem plataformas de afiliados para produtos físicos e digitais que controlam as indicações e as distribuições de receitas. No Brasil as mais conhecidas são Hotmart e Lomadee.
  • Patrocínio: muitas pessoas físicas e jurídicas querem associar o seu nome e a sua marca a iniciativas que causam impacto no seu público-alvo, na sua audiência. Para isso acabam patrocinando shows, filmes, esportes, peças de teatro e eventos que têm ligação com a mensagem que querem transmitir.Com o consumidor valorizando cada vez mais iniciativas socialmente responsáveis, estas organizações têm alocado em seu orçamento valores para serem investidos em iniciativas com impacto social.Isso gera oportunidades para os Negócios Sociais gerarem valor para estas marcas, que poderão fomentar as atividades de impacto, em troca de publidade.Além dos espaços físico e de tempo para a divulgação dos patrocinadores, a organização social poderá desenvolver um selo, ou seja um ceritificado para os apoiadores estamparem nas suas comunicações e nos seus produtos.Nós fizemos o Selo Empresa Amiga do Jovem Empreendedor para as empresas que associaram suas marcas aos valores do Projeto Social Empreendendo.

monetizar

  • Doação: é uma forma de monetizar parecida com o patrocínio, onde um terceiro coloca um determinado valor na instituição. A diferença é que a doação muitas vezes ocorre de forma anônima. As pessoas ou empresas que a fazem tem apenas o intuito de ajudar, sem esperar nada em troca, seja por gratidão, ou qualquer outro motivo de ordem particular.Também existem incentivos fiscais para alguns tipos de doações, e os Negócios Sociais podem usar deste argumento para captar recursos para as suas atividades.
  • Agregador (Hub): uma características de muitos negócios sociais e ONGs é que não conseguem produzir em grande escala, ou têm dificuldades em acessar mercados consumidores.Com a filosofia do “juntos somos mais fortes”, agregar para qualificar, proteger e profissionalizar estes atores neste mercado, pode ser uma oportunidade de gerar escala e receitas para os envolvidos.
  • Escambo/Permuta: No Projeto Empreendendo utilizamos muito o recurso da permuta, buscando parceiros que possam oferecer serviços como contabilidade, publicidade, assessoria, material gráfico, uniformes e prêmios para nossos alunos, em troca de divulgação em nossas atividades.Embora não haja dinheiro envolvido, há muito valor nestas transações, gerando ganhos mensuráveis e não mensuráveis para todos envolvidos.Alguns modelos de Negócios Sociais usam o escambo como core da organização, trocando livros e até roupas, como o caso do Roupa Livre.Esta é uma tendência que deve se acentuar com o crescimento da Economia Compartilhada, assim como o modelo da Recorrência.
  • Recorrência: serviços recorrentes são aqueles que você paga por mês, no formato de assinatura.Muitos negócios, sociais ou não, estão buscando o formato da recorrência, pois garantem a rentabilidade da organização ao longo do tempo.Na nova economia, cada vez vai fazer menos sentido ser dono das coisas. O proprietário dará lugar ao usuário.Com a transformação dos átomos em bits, não faz mais muito sentido comprar filmes ou CDs. Você paga uma assinatura e acessa os serviços da Netflix ou do Spotify. Esta forma de monetizar gera uma previsão de receita mais segura ao longo do tempo.O humorista e professor de criatividade Murilo Gun, faz uma divertida análise deste novo modelo recorrente nesta palestra que ele deu para o TEDx, onde propõe que ao invés de comprar um sofá, você alugue um (é engraçado, vale a pena ver).

    Conheço uma empresa que fornece serviços de impressão. Ao invés de você comprar a impressora, você paga uma assinatura mensal pelo serviço. Eles fornecem junto como equipamento, o papel e a tinta, e fazem as reposições quando o papel e a tinta acabam ou quando a impressora quebra.

    Um Negócio Social pode surgir através de uma oportunidade num mercado consumidor que não poderia comprar determinado produto, mas conseguiria alugar por mês, ou por um período de uso.

  • Pague Quanto Quiser/Puder: este é o modelo mais inovador de monetizar ideias e negócios, e tem bastante aderência ao modelo social.Permite ao cliente dizer o preço que irá pagar pelo produto ou serviço consumido. Em alguns casos o empreendedor permite que o cliente diga que não pague nada, em outros ele estipula um valor mínimo.

    Já consumi conteúdos neste formato, como o Curso Launch do Daniel Larusso e a Consultoria DreamNGo do Leandro Malhado.

    Confesso que fiquei um pouco desconfortável no início, mas hoje já penso em criar alguns serviços neste formato de monetização.

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Divulgue para seus amigos empreendedores estas novas formas de gerar valor e receita para seus empreendimentos.